Cansaço, ansiedade e alteração de peso são características muito associadas a quem leva um estilo de vida moderno, trabalhando em excesso e quase sem tempo para descansar. Mas esses também podem ser sinais de distúrbios da glândula tireoide, responsável por produzir hormônios essenciais ao organismo.

Uma pesquisa realizada com 6.000 mulheres em sete países revela que a maioria delas associa esses quadros ao cotidiano corrido, ignorando que podem ser sinais de que algo não vai bem com o corpo. Essa falta de conhecimento atinge 36% das brasileiras. O estudo foi divulgado nos últimos dias, em meio à Semana Internacional de Conscientização sobre a Tireoide 2017.

Os dados mostram, por exemplo, que quase metade das mulheres (49%) atribuiu às atividades do dia a dia o fato de se sentirem cansadas ou lentas diariamente. A mesma porcentagem também relacionou à vida moderna a sensação de agitação e/ou dificuldade para dormir.

Esses sintomas podem esconder hipertireoidismo (aumento da produção de hormônios T3 e T4 e diminuição de TSH – estimulador) ou hipotireoidismo (diminuição desses hormônios), quadros mais comuns associados à glândula, de acordo com a endocrinologista Laura Ward, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Por isso, segundo Ward, o resultado da pesquisa serve de alerta. “Os distúrbios da tireoide são facilmente confundidos porque essa glândula é responsável por várias funções do corpo. Mas é ainda surpreendente saber que a confusão de sintomas é algo comum entre as mulheres do mundo inteiro”, afirma.

Diagnóstico. Com esses sintomas em evidência, o paciência deve procurar ajuda. Segundo Ward, o exame de sangue fornece o diagnóstico. “Medimos os níveis do hormônio estimulador da tireoide (TSH) e do hormônio da tireoide (T4). Há problema quando se tem TSH elevado e níveis baixos de T4 no sangue”, explica.

A dificuldade em perder peso foi o que levou a comunicadora Nayara Leandro, 30, a descobrir que havia algo errado. “No fim de 2015, estava num processo de emagrecimento, mas não perdia os quilos esperados. Até achei que fosse por causa da vida corrida, mas, depois de uma ultrassom, descobri um tumor na tireoide”, revela. Após a remoção da glândula, hoje ela faz reposição diária de hormônio da tireoide e leva um ritmo de vida normal.

Sem saber

Pesquisa. De acordo com dados da Organizações das Nações Unidas (ONU), divulgados neste ano, 300 milhões de pessoas no mundo não sabem que sofrem com problemas na tireoide.


Inflamações podem ser indolores, e condição mais grave é o câncer

A endocrinologista Laura Ward, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca ainda outras patologias associadas à tireoidite (inflamação da glândula). São elas: tireoidite de Hashimoto (glândula aumenta de tamanho, sem causar dor, crescendo dos dois lados), bócio (causado pela falta de iodo ou por inflamação da glândula, levando ao aumento da tireoide) e nódulo (surgimento de um caroço na parte anterior do pescoço, que não causa dor).

A especialista alerta que, além desses quadros que merecem atenção, a condição mais grave é o câncer de tireoide, que requer a extração da glândula, pois pode atingir regiões próximas e causar mais tumores. Nesses casos, o paciente deverá fazer reposição hormonal. (TM)


Flash

Concentrar. Outros sinais de desordem da glândula incluem incapacidade de concentração ou falta de interesse – problema ignorado por 43% das entrevistadas.

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