Há 50 anos, as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record marcavam o início do que seria um dos maiores movimentos musicais nacionais. A certeza veio com o sucesso do disco Tropicália Ou Panis Et Circenses, álbum-manifesto lançado no período mais tenso da ditadura militar. E para marcar a data, o Tropicália 50 arma um mini festival no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em Ipanema. Na quarta e quinta-feira, a cantora e compositora Letícia Novaes, que despontou a frente da banda Letuce, e o músico Arthur Braganti apresentarão músicas do repertório tropicalista, dividindo a noite com o poeta Luís Turiba, ganhador de dois prêmios Esso de jornalismo, que lerá poesias que fazem referência ao movimento.

O roteiro com sabor tropicalista vai misturar textos, canções e referências de diferentes épocas e estilos e no qual entrarão sucessos dos Mutantes, Carmem Miranda, Torquato Neto e Edu Lobo e até Berlin – aquela do Take My Breath Away, hit do New Wave nos anos 80. Quem lembra? Sem deixarem, é claro, de incluir músicas e poesias autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento, como o samba “Mistura Tropicalista”, enredo que o Turiba compôs para o carnaval do bloco Mistura de Santa, criado por ele. Inclusive, o movimento inspirou o enredo de 2017, Mistura Tropicalista, um samba de sua autoria que ele apresentará ao público do projeto. “O Tropicalismo foi o mais importante movimento cultural da última metade do século passado. Combateu a ditadura esteticamente e revolucionou a linguagem poética brasileira com Torquato Neto à frente, como letrista de Gil, Caetano, Edu Lobo. Foi um movimento que misturou tudo: passado, presente, cinema, teatro, poesia e artes plásticas. Foi reprimidíssimo, durou pouco, mas seus ecos podem ser ouvidos até hoje”, explica Turiba, que também é idealizador do Café Tropicália na 33ª Feira de Livro de Brasília, em 2017.

SOBRE O TROPICÁLIA 50

Em 1967 – no mesmo ano em que o público se impactava com a exposição da instalação Tropicália, de Hélio Oiticica, no Museu de Arte Moderna do Rio, com a montagem da peça O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, pelo Teatro Oficina, e com a exibição do filme Terra em Transe, de Glauber Rocha – as eletrificadas apresentações de Caetano Veloso com Alegria, alegria, e de Gilberto Gil com Domingo no Parque no Festival da TV Record marcaram o rompimento com os padrões musicais da época. Surgia então o movimento estético-musical inspirado pelas proposições antropofágicas de Oswald de Andrade, que fascinou o país, e revolucionou a cultura brasileira a partir do final dos anos 60.

Os encontros que marcam o ano 50 da Tropicália – que segue inspirando as novas gerações – ocorrem no primeiro andar da casa onde morou o festivo Guilherme Araújo, empresário e produtor musical dos baianos no final da década de 60, considerado co-criador do movimento. Por vontade do próprio Guilherme, após sua morte a casa foi transformada em gabinete de leitura, funcionando também como centro cultural. De maneira informal, o Gabinete recebeu as comemorações no fim de janeiro, e até dezembro receberá encontros poético-musicais armados pelos jornalistas Rafael Millon e Paulo Sabino. Em junho o projeto receberá a cantora Zabelê e o cantor, compositor e poeta Moraes Moreira. A escolha do lugar não foi em vão.

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento
Gabinete de Leitura Guilherme Araújo: Rua Redentor, 157, Ipanema
Quarta-feira, 31, e quinta, 01/06, a partir das 19h30
Entrada franca com contribuição voluntária

 

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