Vanderlei Almeida/AFP
Desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2017. Escola empatou em primeiro lugar com a Portela (foto: Vanderlei Almeida/AFP)

As ruas de todo o Brasil estão em festa desde a sexta-feira, mas o momento mais esperado do carnaval começa neste domingo: o desfile das maiores escolas de samba do Rio de Janeiro, uma explosão de ritmo, penas e purpurina. "O maior espetáculo na Terra", segundo seus organizadores, ocorre no Sambódromo, passarela monumental com capacidade para mais de 72 mil espectadores.

Madrugada adentro, sete das treze escolas do grupo especial encantarão o público com seus enormes carros alegóricos, afinadas baterias e fantasias extravagantes. O desfile, mundialmente famoso, não é apenas um espetáculo colorido, mas também uma competição disputadíssima: cada escola é avaliada por um júri, que analisa com precisão a qualidade da música, os figurinos e o tema escolhido por cada agremiação, entre outros critérios.

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Portela no ano passado. Em 2018, escola desfila na segunda-feira (foto: Vanderlei Almeida/AFP)

O trabalho de um ano inteiro é julgado em menos de uma hora de exibição. No ano passado, foram coroadas duas escolas que terminaram empatadas e que voltam para defender seu título. A Mocidade será a última a desfilar neste domingo e a Portela será a segunda na segunda-feira, o segundo dia dos desfiles.

Este ano, excepcionalmente, treze escolas desfilarão ao invés de doze. Nenhuma foi rebaixada no último carnaval devido a dois acidentes graves durante o desfile que causaram a morte de uma jornalista e deixaram vários feridos. A segurança foi reforçada para esta edição e os condutores dos carros alegóricos deverão ser submetidos, pela primeira vez, ao bafômetro antes do evento.

Menos dinheiro, mais criatividade

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Em 2017, apresentação da foto, Salgueiro ficou em terceiro lugar (foto: Vanderlei Almeida/AFP)

Este ano, as escolas tiveram que aprimorar sua criatividade para não diminuir a qualidade de seus desfiles depois que o governo reduziu pela metade os subsídios municipais. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, usou a crise financeira para justificar esse corte. Mas os fanáticos pelo carnaval apontam o fato de o ex-bispo evangélico não comungar com esta festa de excessos e o acusam de ir contra uma tradição sagrada que atrai mais de um milhão de turistas e gera mais de 1 bilhão de dólares para o Rio.

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Na foto, Mangueira no ano passado, na Sapucaí. Escola conquistou a quarta colocação (foto: Yasuyoshi Chiba/AFP )

Depois de ser acusado de querer estragar a festa devido a suas convicções religiosas, Crivella adotou um tom mais conciliador e admitiu nesta sexta-feira que o feriado poderia "restaurar o otimismo" em uma cidade afetada pela violência e pela crise financeira. Mas não estará presente na Marquês de Sapucaí, quando a Mangueira desfilar com seus versos provocadores: "Pecado é não se divertir no carnaval".

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Em 2017, com o desfile mostrado na imagem, a Grande Rio ganhou o quinto lugar do grupo especial (foto: Yasuyoshi Chiba/AFP )

Do lado de fora do Sambódromo, milhões de entusiastas continuarão a desfilar nos blocos de rua, que atraem multidões a qualquer hora do dia. No sábado, mais de um milhão de pessoas se reuniram no centro da cidade para o desfile do "Bola Preta", que completou 100 anos.